Web Scraping

SDK da Bright Data transforma TVs em nós de saída para scraping

Um pesquisador reverteu a engenharia do SDK da Bright Data, que é embutido em aplicativos de consumo, revelando como ele transforma dispositivos, como TVs inteligentes sempre ligadas, em nós de saída que retransmitem tráfego de web scraping. A Bright Data, sucessora da Luminati, opera a maior rede de proxies residenciais do mundo, com mais de 400 milhões de IPs residenciais. O problema surge quando o tráfego de scraping utiliza a conexão de internet do usuário, em vez da do cliente, o que pode resultar em uso indevido da largura de banda do usuário. O SDK não possui autenticação robusta e, em dispositivos iOS, o tráfego consegue contornar VPNs configuradas. A tela de consentimento apresentada aos usuários não reflete a extensão do uso permitido pelo SDK, que pode consumir até 200 GB de tráfego mensalmente. Embora a Bright Data afirme que os nós de saída são opt-in, a validade desse consentimento é questionável. A pesquisa destaca a necessidade de monitoramento e bloqueio de endereços web associados ao SDK para proteger a rede doméstica. Com a crescente demanda por dados para IA, essa prática levanta preocupações sobre privacidade e segurança, especialmente no contexto da LGPD no Brasil.

Campanha GemStuffer usa RubyGems para exfiltração de dados

Pesquisadores de cibersegurança alertam para a campanha GemStuffer, que tem como alvo o repositório RubyGems, utilizando mais de 150 gems para exfiltração de dados ao invés de distribuição de malware. De acordo com a empresa Socket, os pacotes não visam comprometer massivamente desenvolvedores, pois muitos têm pouca ou nenhuma atividade de download e seus payloads são repetitivos e barulhentos. Os scripts envolvidos na campanha acessam portais de serviços democráticos do governo local do Reino Unido, coletando informações como calendários de reuniões, listas de itens de agenda e documentos PDF, que são então empacotados em arquivos .gem e publicados de volta no RubyGems com credenciais de API codificadas. A campanha levanta preocupações sobre o uso do RubyGems como um canal de armazenamento para dados coletados, o que pode indicar uma capacidade de ataque contra a infraestrutura governamental. A situação se agrava com a desativação temporária do registro de novas contas no RubyGems, após um ataque malicioso significativo. Embora a informação coletada seja publicamente acessível, a sistemática coleta e arquivamento de dados pode ter implicações mais amplas, incluindo possíveis testes de abuso de registro de pacotes.