Pentágono

Diretor do Google renuncia por contratos de IA com o Pentágono

René Mayrhofer, diretor de segurança da plataforma Android do Google, renunciou ao seu cargo em protesto contra os novos contratos da empresa com o Departamento de Defesa dos EUA (DoD). Em uma carta interna, ele expressou sua preocupação com a utilização dos modelos de inteligência artificial (IA) da empresa para fins classificados, afirmando que a gestão atual do Google havia perdido seu ’norte moral’. Mayrhofer destacou que a decisão de colaborar com o Pentágono contraria os princípios éticos que a empresa havia estabelecido anteriormente, incluindo a proibição de usar IA para desenvolver armas ou ferramentas de vigilância. O Google, que já havia abandonado suas metas de neutralidade de carbono em favor do desenvolvimento de IA, agora permite que o DoD utilize seus modelos para ‘qualquer propósito legal’, o que, segundo Mayrhofer, pode incluir ações que violam leis internacionais. A renúncia de Mayrhofer ocorre em um contexto em que centenas de funcionários do Google já haviam assinado uma carta aberta pedindo ao CEO Sundar Pichai que rejeitasse essa decisão, considerada ‘antiética e perigosa’. A situação levanta questões sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia em suas colaborações com entidades governamentais e militares.

Dados de celulares de soldados dos EUA expõem tropas a inimigos

O Pentágono confirmou que adversários estrangeiros dos Estados Unidos conseguiram rastrear tropas americanas em zonas de guerra, como o Oriente Médio, utilizando dados de localização de smartphones disponíveis comercialmente. Essa situação é alarmante, pois o Departamento de Defesa (DoD) não exige que os usuários desativem a geolocalização em áreas de conflito, e os identificadores de publicidade continuam a ser transmitidos mesmo quando os anúncios personalizados estão desativados. O senador Ron Wyden e o representante Pat Harrigan criticaram o DoD por não impor protocolos de segurança mais rigorosos para smartphones, destacando que tanto dispositivos pessoais quanto os fornecidos pelo governo ainda transmitem informações que podem ser usadas para localizar militares. Apesar de estar ciente dessa vulnerabilidade há pelo menos uma década, o DoD não desenvolveu soluções concretas para mitigar o problema, mesmo diante de múltiplos relatórios de ameaças. A política de ’traga seu próprio dispositivo’ (BYOD) adotada pelo exército, que permite o uso de dispositivos pessoais, contrasta com as necessidades de segurança operacional, aumentando o risco para os soldados em campo.

Anthropic é designada como risco à cadeia de suprimentos pelo Pentágono

A empresa de inteligência artificial Anthropic se manifestou contra a decisão do Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que designou a companhia como um ‘risco à cadeia de suprimentos’. Essa medida ocorreu após meses de negociações que não avançaram, especialmente em relação ao uso de seu modelo de IA, Claude, para vigilância em massa e armas autônomas. Anthropic defende que seu modelo não deve ser utilizado para vigilância doméstica, argumentando que isso é incompatível com os valores democráticos e apresenta riscos à liberdade. Em resposta, o presidente Donald Trump ordenou que todas as agências federais descontinuem o uso da tecnologia da Anthropic em seis meses, enquanto Hegseth exigiu que todos os contratantes do Departamento de Defesa (DoD) interrompessem qualquer atividade comercial com a empresa imediatamente. O impasse gerou polarização na indústria de tecnologia, com funcionários de empresas como Google e OpenAI apoiando a Anthropic. Em contraste, o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou um acordo com o DoD para o uso de seus modelos, enfatizando a segurança da IA e a responsabilidade humana em operações militares. A situação destaca a crescente tensão entre inovação tecnológica e considerações éticas na aplicação de IA em contextos militares.