Ciberataques

Agentes de IA quase capazes de realizar ciberataques sozinhos

O segundo Relatório Internacional de Segurança da IA revela que, embora agentes de inteligência artificial ainda não consigam conduzir ciberataques de forma autônoma, eles têm se tornado ferramentas valiosas para cibercriminosos. O estudo, liderado pelo cientista da computação Yoshua Bengio, analisou a evolução da IA em relação ao ano anterior, destacando sua capacidade de automatizar ataques e identificar vulnerabilidades em softwares. Um exemplo alarmante é o uso da ferramenta Claude Code AI por espiões chineses para automatizar ataques em empresas e órgãos governamentais. Os cibercriminosos utilizam a IA para escanear softwares em busca de falhas e para desenvolver códigos maliciosos, como evidenciado pelo uso da HexStrike AI em ataques a dispositivos Citrix NetScaler. Apesar de os agentes de IA ainda precisarem de intervenção humana para realizar ataques complexos, a evolução contínua da tecnologia levanta preocupações sobre a possibilidade de que, em breve, esses sistemas possam operar de forma independente. O relatório sugere que a preparação para essa eventualidade é crucial, especialmente considerando o aumento da automação em ciberataques.

Líder de grupo de ransomware é adicionado ao alerta vermelho da Interpol

Oleg Evgenievich Nefedov, suposto líder do grupo de ransomware Black Basta, foi incluído no alerta vermelho da Interpol durante uma operação conjunta entre autoridades policiais da Ucrânia e da Alemanha. Nefedov, um cidadão russo de 35 anos, é acusado de liderar um grupo que arrecadou ilegalmente centenas de milhões de dólares em criptomoedas, atacando mais de 500 empresas na América do Norte, Europa e Austrália desde 2022. Os membros do grupo são especializados em invasões técnicas e na extração de senhas, utilizando softwares específicos para realizar ciberataques e extorquir dinheiro das vítimas. Durante a operação, dois ucranianos foram identificados como suspeitos e tiveram suas residências vasculhadas, resultando na apreensão de dispositivos digitais e ativos em criptomoedas. Nefedov já havia sido preso em 2024 na Armênia, mas conseguiu escapar. Atualmente, seu paradeiro é desconhecido, embora se acredite que ele esteja na Rússia. O caso destaca a crescente ameaça de grupos de ransomware e a necessidade de uma resposta internacional coordenada para combater esses crimes cibernéticos.

Ciberataques na Oceania revelam nova estratégia de hackers

O comércio varejista e o setor de serviços na Oceania, especialmente na Austrália e Nova Zelândia, enfrentaram um aumento significativo nas tentativas de ciberataques em 2025, superando até mesmo setores críticos como governo e saúde. O ‘Threat Landscape Report 2025’, da Cyble, destaca que hackers estão mudando seu foco para empresas de pequeno e médio porte, que frequentemente carecem de medidas de segurança robustas. Rex Booth, diretor de segurança da informação da Sailpoint, aponta que a eficiência é a chave para essa mudança, já que os atacantes buscam maximizar lucros com o mínimo de esforço. O aumento das transações no varejo e a dinâmica de integração rápida de trabalhadores temporários também contribuem para essa vulnerabilidade. O relatório revela que o mercado de cibercrime está fragmentado, dificultando a identificação de responsáveis pelos ataques, uma vez que as vendas de dados na dark web vêm de contas novas. Essa tendência de ataques a setores menos protegidos reflete um padrão global, onde hackers conseguem causar danos mesmo sem ferramentas avançadas para comprometer organizações críticas.

Austrália registra aumento recorde de ciberataques e alerta para 2026

A Austrália enfrenta um aumento alarmante de ciberataques, com um crescimento de 50% em crimes cibernéticos em 2025, em comparação ao ano anterior. O governo australiano, com base na Lei de Segurança Cibernética de 2024, prevê que 2026 pode ser ainda mais desafiador, especialmente para setores corporativos e financeiros. Em 2024, cerca de 47 milhões de contas foram comprometidas, e em 2025, 5,7 milhões de acessos indevidos foram registrados. Os dados mais visados pelos hackers incluem nomes de usuário e endereços de e-mail, frequentemente encontrados em mercados clandestinos na dark web. As principais ameaças incluem campanhas de phishing e roubo de identidade. Para combater essa crescente onda de ataques, a Lei de Segurança Cibernética impõe obrigações às empresas, como a notificação de pagamentos de ransomware em até 72 horas e a criação de um Conselho de Revisão de Incidentes Cibernéticos. Além disso, penalidades severas podem ser aplicadas para o mau uso de dados sensíveis, com multas que podem chegar a AU$ 50 milhões.

EUA suspendem apoio ao fórum global de cibersegurança

Os Estados Unidos decidiram suspender seu apoio ao Global Forum on Cyber Expertise (GFCE), um importante fórum global dedicado à cibersegurança. A decisão foi anunciada pelo presidente Donald Trump em uma ordem executiva que retirou o país de cerca de 66 agências internacionais, incluindo 31 vinculadas à ONU. O GFCE, que conta com a participação de mais de 100 países, tem como objetivo fortalecer a colaboração entre nações para enfrentar desafios de segurança digital, especialmente em um cenário onde as ameaças cibernéticas se tornam cada vez mais frequentes e sofisticadas, em parte devido ao avanço da inteligência artificial. Além do GFCE, os EUA também se retiraram do European Centre of Excellence for Countering Hybrid Threats (Hybrid CoE), que se concentra na análise e resposta a ameaças híbridas. A decisão reflete uma postura do governo americano de se distanciar de iniciativas que considera contrárias aos seus interesses, o que pode gerar preocupações sobre a eficácia da colaboração internacional em cibersegurança em um momento crítico para a proteção de dados e infraestruturas digitais.

Infraestrutura de Taiwan sofre 2,5 milhões de ciberataques diários da China em 2025

Em 2025, a infraestrutura de Taiwan enfrentou uma média alarmante de 2,63 milhões de ciberataques diários originados da China, conforme relatado pelo Escritório de Segurança Nacional de Taiwan. Este número representa um aumento de 6% em relação ao ano anterior e um impressionante crescimento de 113% desde 2023, quando Taiwan começou a monitorar esses incidentes. Os ataques, que frequentemente coincidem com eventos militares e políticos significativos, são vistos como parte da estratégia de ‘guerra híbrida’ da China, que visa desestabilizar a ilha. Grupos de hackers associados à China, como Volt Typhoon e Brass Typhoon, estão envolvidos em atividades de espionagem e roubo de dados que atendem aos interesses nacionais chineses. O relatório destaca que os ataques têm como alvos principais hospitais, bancos e agências governamentais, indicando uma tentativa deliberada de comprometer a infraestrutura crítica de Taiwan. Apesar das alegações, a China não respondeu oficialmente ao relatório e geralmente nega envolvimento em ciberataques, acusando os Estados Unidos de serem os verdadeiros ‘bullys cibernéticos’ do mundo.

Ciberataques e espionagem internacional são impulsionados por IA generativa

Um relatório da Microsoft revelou que, entre janeiro e julho de 2025, mais de 200 casos de hackers estrangeiros utilizaram inteligência artificial (IA) para criar e disseminar conteúdo falso e realizar ataques diretos a governos. Este número representa um aumento significativo em relação aos anos anteriores, com mais do que o dobro de casos registrados em 2024 e mais de dez vezes em comparação a 2023. Os cibercriminosos estão utilizando IA para automatizar ataques, como a tradução de e-mails de phishing, tornando-os mais convincentes e difíceis de identificar. Além disso, a criação de clones digitais de altos funcionários governamentais tem sofisticado as táticas de engenharia social, visando a obtenção de dados confidenciais e a desestabilização de serviços essenciais. A vice-presidente de Segurança e Confiança do Cliente da Microsoft, Amy Hogan-Buney, destacou que os EUA são o país mais visado, seguido por Israel e Ucrânia. Apesar das evidências, países como Rússia e China negam envolvimento em operações cibernéticas de espionagem. A Coreia do Norte, por sua vez, tem utilizado IA para criar identidades falsas, permitindo acesso a segredos comerciais e a instalação de malwares em empresas de tecnologia.

Brasil registra 315 bilhões de tentativas de ciberataques em 2025

Uma pesquisa da Fortinet revelou que o Brasil acumulou 315 bilhões de tentativas de ciberataques no primeiro semestre de 2025, representando mais de 80% do total de ataques na América Latina. Durante o Fortinet Cybersecurity Summit 2025, o vice-presidente de engenharia da empresa, Alexandre Bonatti, destacou que a maioria dos ataques no Brasil é direcionada, visando alvos específicos e com o objetivo de monetização. Os criminosos agora tratam os ataques como uma estratégia de negócios, buscando maximizar lucros. O Brasil se torna um alvo atraente devido à combinação de grandes instituições e baixa maturidade em segurança cibernética, especialmente em um cenário de transformação digital. Bonatti também mencionou que setores que utilizam Internet das Coisas (IoT), como indústria e saúde, estão entre os mais vulneráveis, principalmente quando operam com dispositivos desprotegidos ou desatualizados. A pesquisa indica que a educação em cibersegurança no Brasil ainda é precária, o que facilita a exploração por criminosos. Com o aumento da lucratividade dos ataques, a situação exige atenção urgente das empresas e profissionais de segurança da informação.

Brasil lidera ranking de ciberataques na América Latina, aponta Netscout

O Brasil se destaca como o país mais atacado da América Latina em cibersegurança, com mais de 514 mil incidentes registrados no segundo semestre de 2024, representando mais da metade dos 1,06 milhões de ataques na região. O relatório da Netscout revela um aumento de quase 30% em relação ao semestre anterior. Os ataques mais comuns incluem negação de serviço distribuído (DDoS) e ransomware, frequentemente visando extorquir empresas por meio de resgates em criptomoedas. A crescente sofisticação dos ataques, impulsionada pelo uso de inteligência artificial, permite que criminosos automatizem campanhas e criem e-mails falsos convincentes. O Brasil não apenas é um alvo, mas também um vetor de ciberataques, com a fragilidade das redes corporativas sendo um fator crítico. Especialistas alertam que a segurança deve ir além do perímetro das redes, abrangendo dispositivos pessoais, devido a vulnerabilidades como a falha no protocolo de roaming SS7. Para mitigar esses riscos, a Netscout propõe uma plataforma que utiliza inteligência artificial para detectar anomalias e proteger as infraestruturas digitais. O cenário exige que as empresas invistam em prevenção e monitoramento contínuo para enfrentar a crescente ameaça cibernética.